Eclipse mental: por Cesar Padilha

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Sem mais nem menos o sol desaparece do céu em pleno dia e, num piscar de olhos, um manto negro vem cobrindo lentamente tudo à nossa volta, tudo parece diferente, tudo se torna mais difícil. Mas, a mesma escuridão que nos impede de enxergar, nos faz pensar melhor antes de qualquer decisão de movimento, tudo passa a ser meticulosamente calculado; é quando o silêncio começa a fazer sentido, e ele acaba por nos reapresentar uma pessoa que há muito não vemos, alguém que tem sonhos, medos, paixões, aflições, ideais, incertezas e tantos outros atributos, bons e ruins. Uma pessoa que com o passar do tempo foi se retraindo, se escondendo, se esgueirando até se tornar praticamente obsoleta, sucumbindo num mar de mentiras, entendendo, erroneamente, que ela não tinha espaço naquele mundo em que vivia, um mundo onde o que era belo parecia estranho, um mundo onde seus ideais se tornaram pífios, seus sonhos impossíveis, suas paixões irrelevantes.

Aquela pessoa que há muito decidira não ser verdadeira, por se julgar incompatível e inferior, hoje volta a se revelar, com todos os seus defeitos e virtudes, se permitindo ser simplesmente ela.

Em algum momento esse manto negro irá nos deixar, levando com ele as falsas certezas impregnadas na alma e dando lugar ao mundo, tal como conhecemos, tudo estará no mesmo lugar, tudo será como sempre foi, mas os olhos que enxergarão esse mundo serão outros.

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